Vice-governador tomou posse como ministro em Brasília na quinta-feira (9).
Em entrevista ao G1, ele falou da relação com Alckmin e do apoio a Dilma.
Depois de comparar em tom de brincadeira o seu gabinete a uma “sala de espera”, o ministro e vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD), diz que recorrerá à exoneração temporária do ministério para assumir o governo de São Paulo na ausência do governador Geraldo Alckmin.
Afif tomou posse na quinta-feira (9) como ministro da Micro e Pequena Empresa. Nesta manhã, o vice-governador recebeu o G1 em seu gabinete no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Ele reafirmou em entrevista exclusiva que não pretender abrir mão do cargo atual para a nova função.
Guilherme Afif Domingos
| |
|---|---|
| Nascimento | 18 setembro de 1943 |
| Cidade | São Paulo (SP) |
| Esposa | Silvia Maria Delivenneri Domingos |
| FIlhos | Silvia Helena, Guilherme, Arnaldo e Cecília |
| Formação | Administração de Empresas |
| Trajetória | Até maio deste ano, foi presidente do Conselho Gestor de Parcerias Público-Privadas. Antes, havia sido secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de São Paulo, e do Emprego e Relações do Trabalho. Foi também presidente da Associação Comercial de São Paulo e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo. Foi deputado federal constituinte em 1986 e candidato à presidência da República pelo PL em 1989. No início dos anos 80, foi secretário da Agricultura eAbastecimento de São Paulo e, em 1976, foi presidente do Banco de Desenvolvimento de São Paulo. |
“A minha necessidade de estar aqui é para substituir o governador em suas ausências, especialmente as de viagem, que são as corriqueiras. Essas [ausências] deverão ser tratadas dentro do espírito da lei. E dentro do espírito da lei, para que eu possa assumir essa função, eu tenho que me exonerar do cargo onde estou. Isso se faz. É a exoneração temporária. Você se exonera, cumpre seu papel e retorna”, disse, na manhã desta sexta-feira (10).
Ao comentar a nova função e o grande volume de atividades com que está envolvido desde a posse, o então ministro se mostrou animado.
Ao comentar a nova função e o grande volume de atividades com que está envolvido desde a posse, o então ministro se mostrou animado.
“O vice-governador é um stand by. Você está aqui em uma sala de espera, aqui não é o poder. É uma sala de espera. Você espera a ausência do governador para assumir. Essa é a função do vice, por isso ele pode assumir outra função. Não há proibição. Há proibição para o governador”, afirma.
saiba mais
Membro do PSD e parte importante do governo estadual do PSDB, Afif negou qualquer conflito de interesses quando foi questionado sobre a atuação simultânea em governos que historicamente se opõem.
“Eu acho muito engraçado quando falam ‘o senhor está em um governo de oposição’. O governo não é oposição, é governo. Então é o governo de São Paulo e o governo federal. As ações para micro e pequenas empresas são ações de governos federal, estadual e municipal, portanto há uma total integração das ações para poder beneficiar o pequeno. Eu não vejo nenhum conflito de interesses entre os encargos que eu assumo”, defende.
Apesar da normalidade com que trata do cargo no governo de Dilma Rousseff, Afif diz que usa o bom relacionamento pessoal com Alckmin para amenizar divergências políticas com o governador.
“Eu já tive um período muito mais crítico no meu relacionamento com ele [Geraldo Alckmin]. Foi quando ele me demitiu da Secretaria do Desenvolvimento. Eu procurei sempre manter relação pessoal com ele. Ele mesmo um dia disse: ‘nesses conflitos, as maiores vítimas somos nós dois’. E eu falei ‘então vamos saber administrar’, e sob o ponto de vista pessoal não há nenhum tipo de rusgas, de forma nenhuma. Neste instante, a gente usa o relacionamento pessoal para poder amenizar os conflitos políticos”, disse.
Questionado sobre quais são os conflitos políticos entre ele e o governador, Afif respondeu apenas que “PT e PSDB estão em guerra permanente. Eu sou do PSD, que é da paz”.
Foco na 'desburocratização'
Como ministro, Afif promete investir na "desburocratização" para incentivar o registro de micro e pequenas empresas. Nesse processo, São Paulo deverá ter prioridade.
Como ministro, Afif promete investir na "desburocratização" para incentivar o registro de micro e pequenas empresas. Nesse processo, São Paulo deverá ter prioridade.
“São Paulo vai ser a minha área prioritária quanto à abertura e ao fechamento de empresas porque a velocidade de abertura põe o Brasil em uma posição vergonhosa entre outros países, em termos de ambiente de negócio hostil aos empreendedores. Portanto, nós temos que desenvolver a primeira ação aqui [em São Paulo] para melhorar as nossas condições no ranking.”
O ministro e vice-governador disse já ter definido três nomes técnicos para compor a sua equipe, mas não adiantou quem serão os indicados. Já a definição dos demais cargos deve ocorrer a partir da próxima semana, após conversas com outros ministros em Brasília. “É muito complicado você destacar pessoas de outros estados para o governo central”, disse. “Tem que ter o mínimo de gente de fora e o máximo de pessoas qualificadas, e existem muitas, em Brasília”. A estrutura, promete Afif, será “bem enxuta, porque o Ministério tem que ser ágil. Não pode ser um ministério pesado porque ele é um ministério de circulação, de articulação”.
Questionado sobre a recente criação de novos ministérios pela Presidência e a possível oneração do governo, ele concorda que é preciso mais integração.
“Nós todos concordamos que é muita coisa e que nós temos que passar por um processo de buscar uma integração maior de áreas para facilitar o processo de administração. Mas, no caso do Ministério da Micro e da Pequena Empresa, essa é uma lacuna que existia exatamente porque ele é tão importante estrategicamente do ponto de vista econômico e social", defendeu. “Tem que ter uma área que lembre todo dia que existe uma lei diferenciada para o pequeno. E esse guardião é o ministro.”
O novo escritório de Afif em Brasília ficará no prédio da Secretaria de Assuntos Estratégicos, que estaria se deslocando do antigo Ministério da Defesa. A esposa deve acompanhá-lo para a capital federal, mas os quatro filhos, todos casados, permanecem em São Paulo com os dez netos do vice-governador. “Eu, quando possível, venho para minha base, em São Paulo, e o farei semanalmente, até porque não fico longe dos meus netos”, diz.
Apoio a Dilma na eleição de 2014
Agora aliado de Dilma, como ele mesmo se descreve, Afif afirma que irá apoiar a reeleição da presidente em 2014, assim como a tendência de seu partido, o PSD. “Há uma forte tendência do PSD, por sua ampla maioria da base, apoiar a reeleição da presidente Dilma. Porém, há uma diretriz no partido e serão respeitados os acordos estaduais quanto à composição de disputa de poder nos estados.”
Agora aliado de Dilma, como ele mesmo se descreve, Afif afirma que irá apoiar a reeleição da presidente em 2014, assim como a tendência de seu partido, o PSD. “Há uma forte tendência do PSD, por sua ampla maioria da base, apoiar a reeleição da presidente Dilma. Porém, há uma diretriz no partido e serão respeitados os acordos estaduais quanto à composição de disputa de poder nos estados.”
Em São Paulo, de acordo com o ministro, a "tendência é ter um candidato próprio". Segundo ele, esse candidato seria o Kassab. Ainda de acordo com o ministro, a decisão de ter um candidato próprio se deve a outra diretriz do partido, que prioriza a opção de ser "cabeça de chapa onde tivermos efetiva possibilidade, ou composições que não prejudiquem a formação da bancada”.
Afif recebeu G1 em seu gabinete depois de tomar
Guilherme Afif e a presidente Dilma durante a
0 comentários:
Postar um comentário